sexta-feira, 17 de junho de 2011

"ENEM"

> Correio Braziliense, 16/06/2011 - Brasília DF
Cursos de licenciatura terão 6,3 mil vagas para o segundo semestre


           O Sistema de Seleção Unificada (Sisu) oferece um total de 6.369 vagas em cursos de licenciatura, na segunda edição de 2011. As inscrições para o processo que selecionará candidatos às vagas do segundo semestre de 2011 em instituições públicas de ensino superior estarão abertas até o próximo domingo, 19 de junho. Entre os cursos de licenciatura com maior oferta estão os de matemática, com 922 vagas; química, com 678 vagas; física, com 557 vagas, e ciências biológicas, com 553 vagas. Ao todo, as 48 instituições participantes do processo do Sisu no segundo semestre oferecem 26.336 vagas, distribuídas em 19 universidades federais, 23 institutos federais, dois centros federais de educação tecnológica (Cefets) e quatro universidades estaduais.
           Podem se candidatar os estudantes que fizeram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2010. As inscrições serão realizadas em uma única etapa. Os candidatos poderão inscrever-se, em ordem de preferência, em até duas opções de cursos entre as instituições participantes. Durante o período de inscrição, o candidato poderá alterar suas opções, com base na nota de corte divulgada ao fim de cada dia. Cada alteração invalida a opção feita anteriormente. 
           Ao final das inscrições, serão realizadas duas chamadas e, em cada uma delas, o candidato terá um prazo para efetuar a matrícula na instituição em que foi selecionado. O resultado da primeira chamada será divulgado no dia 22 de junho e o prazo para matrícula dos candidatos selecionados será de 27 a 28 de junho. No dia 2 de julho será divulgado o resultado da segunda chamada, com prazo de matrícula de 5 a 6 de julho. Os selecionados na primeira opção não serão convocados nas chamadas posteriores — nem mesmo aqueles que não fizeram a matrícula. Após as duas chamadas, caso ainda existam vagas disponíveis, os estudantes ainda não selecionados poderão manifestar o interesse em participar da lista de espera do Sisu. O prazo para declarar interesse em permanecer na lista é de 2 a 7 de julho.

"Universidade"

UnB:imagens de uma universidade resistente


Fotos de Adonai Rocha, ex-aluno da Universidade de Brasília, mostram ocupação da UnB em 1977. Material ficou guardado por mais de 30 anos

O ano era 1977. O Brasil vivia a ditadura militar que, na universidade, era personificada pela figura do reitor José Carlos Azevedo, capitão-de-mar-e-guerra. No dia 6 de junho, a pedido dele, a polícia invadiu o campus da UnB para reprimir os estudantes. Na semana anterior, os alunos tinham decretado greve em reação à suspensão de 16 colegas. A ocupação duraria três meses.
Adonai Rocha, calouro da Comunicação, usou sua máquina fotográfica como arma para registrar a intimidação promovida pelo regime. As imagens revelam tanto a intimidação dos homens fardados quanto a resistência dos estudantes. Sempre unidos, os alunos reclamavam melhores condições de ensino, denunciavam a falta de instalações físicas e de professores. Também criticavam a ausência de liberdade de expressão e de organização.
Para garantir que o material fotográfico não fosse confiscado, Adonai escondia os filmes no pé de árvores do campus, fora da vista da polícia. Depois, voltava para buscar. “Tirar fotos era tenso. Sacar uma câmera e apontar para os policiais era um ato de risco”, conta. “Quando os militares pegavam o filme, puxavam o negativo”, lembra Adonai.
Ano passado, quando Brasília completou 50 anos, o fotógrafo decidiu reorganizar seus arquivos. Descobriu em uma das caixas, negativos que nunca antes revelado. Neles, encontrou 60 fotos daquele tumultuado ano. “São manifestações, passeatas, éramos jovens sonhadores que não calávamos, mesmo sob a ameaça das armas”, conta Adonai Rocha.



Lembranças da resistênciaEntre aqueles corajosos manifestantes, estava o aluno de Agronomia Zeke Beze Junior. “Entrei no movimento estudantil durante a greve”, lembra ele, que estava no 2º semestre. “Fiquei indignado com a forma como a reitoria e o governo lidaram com a situação. Isso revoltava qualquer pessoa que tinha um mínimo de consciência política”.
Para Zeke, a lembrança mais marcante do período foi o dia de chegada dos militares. O Comando de Greve alertou os estudantes que se concentravam na Ala Norte do Minhocão para que deixassem o campus em grupos. Cerca de 100 jovens decidiram ficar. “A polícia começou a cercar as pessoas. Quem ficou e esboçou resistência foi preso”, lembra.
Ana Leyla Ferreira, então estudante de Comunicação, preferiu sair num grupo de quatro ou cinco pessoas. “Era importante não estar sozinho, se não eles nos carregavam e jogavam no camburão”, diz. Naquele dia, ela começou a namorar o homem com quem está casada até hoje. “Quando saímos, o Getúlio passou a mão no meu ombro, me protegeu”, recorda com romantismo.
A união de Ana Leyla e Getúlio é permeada por lembranças da época em que a UnB foi ocupada por militares. “Meu curso na UnB foi muito mais de corredor do que de sala de aula. Era difícil não participar do movimento político, não reagir”, conta Ana Leyla Ferreira.

Estudando com o inimigoUma das marcas do período era a desconfiança generalizada. “Tinha grande infiltração de policiais à paisana. A gente nunca sabia quem era um colega e quem era um traidor”. Os militares se vestiam como os estudantes e tinham até carteirinhas para se passar por eles. “Esse clima de tensão, de repressão, de deduragem, estava sempre presente. Era um clima de terror”, desabafa Zeke Beze Junior.
Por outro lado, só unidos os estudantes podiam resistir. Nesse contexto, era grande o espírito de cooperação entre eles. “A gente tinha praticamente uma universidade paralela dentro da UnB”, conta Zeke. “Apesar da ditadura, da tensão, da polícia, existia vontade de fazer as coisas, de resolver aquela situação, de discutir o Brasil”, afirma. Era comum que grupos se reunissem para discutir a literatura proibida pela ditadura: publicações marxistas, comunistas e de Paulo Freire.
Em meio aos conflitos e sendo pressionado pelos estudantes, Azevedo convocou o Conselho Universitário (Consuni) pela primeira vez em 17 de junho. O Consuni foi previsto no estatuto da UnB, mas ainda não tinha realizado reuniões até então. A reunião, entretanto, não teve o caráter democrático que dela se espera. O reitor conseguiu referendar a suspensão dos 16 estudantes e, depois disso, novas suspensões foram realizadas e alguns estudantes chegaram a ser presos.
No final de 1977, a ditadura já arrefecia. Estava em curso a abertura “lenta, gradual e segura” proposta pelo presidente Ernesto Geisel. No dia 12 de outubro, o presidente imposto exonerou o ministro do Exército, o general linha-dura Sylvio Frota, tido, até então, como seu provável sucessor. O ato de Geisel derrubou a ala conservadora e foi um dos marcos do fim da ditadura militar.

“Se o Geisel não tivesse derrubado o Frota, eles iam acabar com todos os comunistas”, diz Ramaiana Barros, autor do livro UnB 1977: o início do fim, que estudava Agronomia na universidade naquele ano. Ele estava prestes a se formar quando foi expulso em conseqüência de sua militância no movimento estudantil. “A UnB não me deu o diploma de carreira, mas me deu o diploma de vida”, afirma. “Tive o privilégio de fazer parte dessa escola”.
Eliane Cantanhêde, jornalista da Folha de São Paulo, tinha se formado na UnB em 1974. Na época da invasão militar, trabalhava na revista Veja e fazia a cobertura do movimento estudantil. “O reitor pedia minha cabeça toda hora na revista”, conta. “Naquela época, havia uma união muito grande da esquerda, da centro-esquerda e dos liberais a favor da abertura política”, afirma. “A UnB teve um papel importante nisso. Os estudantes foram bravos”, diz.

UnB

"Educação"

Haddad diz que governo está disposto a dialogar sobre investimento em educação do PNE
Qui, 16/06/11 16h33
Ministro afirma que quer estabelecer um percentual que seja cumprido na prática.
 
O ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou na última quarta-feira (15) que o governo se dispõe a negociar a meta de investimento previsto no Plano Nacional de Educação (PNE). O projeto enviado ao Congresso Nacional prevê que seja aplicado 7% do Produto Interno Bruto (PIB) em educação até o fim da década – hoje esse patamar é de 5%. Mas o documento já recebeu diversas emendas sugerindo que esse percentual seja ampliado para 10%.

“Agora é fazer conta e verificar se as metas do plano serão ampliadas para mais e qual será o impacto financeiro disso no financiamento público. Estamos à disposição para dialogar com o Congresso, mas um plano que seja exequível e que possamos honrar”, defendeu.

Em audiência pública na Câmara, Haddad justificou que na última década o crescimento do investimento em educação foi de 2% do PIB. Segundo ele, para cumprir cada uma das 20 metas previstas no PNE são necessários R$ 80 bilhões adicionais ao investimento anual, o que representa 2% do PIB. “Nossa abertura para o aperfeiçoamento do texto é total. Mas é evidente que não queremos aprovar um plano que não seja cumprido, é importante que ele não seja uma carta de intenções. Não é só um desejo, é uma vontade combinada com determinações bastante efetivas do que a sociedade espera de nós para que as metas sejam atingidas”.

Perguntado sobre a viabilidade do aumento dos investimentos em educação, Haddad afirmou que essa pergunta “não deveria ser direcionada a ele”. “Perguntar para um ministro se ele quer 7% ou 10% do PIB é quase uma covardia. Evidente que quanto mais melhor. Mas este número [7%] tem uma lógica não é um número que caiu do céu”. Haddad afirmou que a presidenta Dilma Rousseff teria se comprometido em aplicar 7% do PIB em educação ainda na campanha eleitoral e que não teria conversado com ela sobre a possibilidade de aumentar esse patamar.

O deputado Angelo Vanonhi (PT-PR), que é relator da proposta, afirmou que a equipe econômica do governo deverá ser chamada à comissão especial que analise a matéria para debater a questão do financiamento. Segundo ele, o presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli, também foi convidado para explicar como os recursos do Fundo Social do Pré-sal poderão ser aplicados em educação, estratégia prevista no PNE. Inicialmente, Vanhoni tinha previsto terminar o relatório do PNE em agosto, mas já cogita encerrar apenas em setembro, por causa do grande número de emendas que o projeto recebeu, quase 3 mil.

Por Agência Brasil.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

"Movimento"

9 de junho de 2011
Estudantes de Natal (RN) ocupam a Câmara e protagonizam movimento #foramicarla


Ocupação começou na última terça-feira e não tem previsão para terminar. Acompanhe ao vivo aqui
Cerca de 100 estudantes ocupam a Câmara de Natal no movimento #foramicarla desde as 11h da manhã da última terça-feira (7/06). Os manifestantes reivindicam o impeachment da prefeita de Natal, Micarla de Sousa, que hoje tem mais de 82% de reprovação pela população. A prefeita está sob investigação da Comissão Especial de Inquérito por conta dos contratos de aluguéis da prefeitura de Natal.
Segundo a organização, a manifestação tem caráter horizontal, ou seja, reúne diferentes correntes de pensamentos e linhas políticas, mas está bastante centrada na participação do movimento estudantil das universidades e de membros dos seus Centros Acadêmicos. “Amplas parcelas da sociedade e as entidades estudantis como a UNE e UBES apóiam o ato e tem como principal objetivo apresentar a insatisfação da sociedade com a gestão municipal”, disse o estudante de Direito da FARN e Vice-Presidente Regional da UNE, Ramon Alves.
“Temos conseguido construir um movimento bem unificado e estamos nos mantendo a partir da solidariedade de sindicatos e da colaboração de pessoas das universidades”, explica a estudante Melayne Macedo, coordenadora do DCE da UFRN. O estudante de gestão pública da Facex, Wesley Lima, conhecido como Geléia, está presente na ocupação desde o seu início e concorda com Melayne: “Todos estamos aqui abraçando uma mesma causa: o #foramicarla. A população não aguenta mais”.
Os manifestantes já conseguiram algumas vitórias com a ocupação. Na noite de ontem (8/06), o presidente da Câmara de Natal, o vereador Edivan Martins, se reuniu com todos os ocupantes para uma conversa, a partir da qual duas grandes vitórias foram conquistadas: foi marcada para o dia 14 de junho uma audiência pública para discutir o Impeachment da prefeita Micarla de Sousa, e um dos membros da Comissão Especial de Inquérito será substituído por alguém da oposição. (Leia a carta redigida pela organização da manifestação aqui)
Um ponto que chama a atenção nesse movimento é o seu caráter espontâneo. A organização foi predominantemente feita por meio da comunicação em redes sociais como o Twitter e o Facebook. Os manifestantes estão utilizando ativamente esses canais de mídia. “Precisamos utilizar esse recurso, pois estamos levando um golpe da mídia oligárquica do estado”, reclama Melayne. Nessa direção, os estudantes instalaram uma TwitterCam, a partir da qual a ocupação está sendo transmitida em tempo real. (Você pode acessar aqui)  
Não há previsão para que a ocupação acabe. Para hoje, os estudantes organizam uma passeata, marcada para as 18h, que sairá do MidwayMall, um shopping da cidade, até a Câmara de Natal. Sobre a manifestação, Ramon Alves faz um alerta: “Embora o movimento seja #foramicarla, o fora alguém pode representar a chegada de alguém pior. Mais do que discutir a saída de uma pessoa, é preciso discutir formas que a sociedade possa participar e intervir na vida política. Construir ações de atuação na política de Natal e do Rio Grande do Norte. Queremos garantir e fortalecer a mobilização da juventude e apresentar propostas para que possamos entrar numa nova etapa. Esse movimento pode representar uma chegada e entrada numa nova etapa”, avalia.
Da Redação / Foto: Elpídio Júnior para o site nominuto.com

sábado, 4 de junho de 2011

"PNE 2011-2020"

> Correio Braziliense, 01/06/2011 - Brasília DF
Plano Nacional de Educação deveria ter metas anuais, sugerem especialistas
Agência Senado



           O segundo Plano Nacional de Educação (PNE), que vai vigorar de 2011 a 2020, deveria ter metas anuais ou bianuais - e não apenas para toda a década, como consta do projeto que está sendo analisado pela Câmara dos Deputados. A proposta foi apresentada nesta quarta-feira (1) pelo professor Mozart Neves Ramos, representante do Movimento Todos pela Educação, na quarta audiência pública sobre o PNE promovida pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE), desta vez dedicada a discutir "O Ensino Fundamental, a Educação Integral e a Educação de Jovens e Adultos". - Não adianta termos apenas metas para 2020, pois até hoje o Ministério da Educação não fez uma avaliação do primeiro Plano Nacional de Educação. Não podemos deixar tudo para o final - recomendou Mozart, lembrando que, segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo, apenas um terço das metas do atual PNE foram cumpridas. 
           O professor recorreu ao exemplo da Matemática para demonstrar as dificuldades ainda enfrentadas pela educação básica. De 1999 a 2009, mencionou, a porcentagem de alunos que aprenderam o que era adequado ao final do quinto ano pulou de 14,4% para 32,5%. Ao mesmo tempo, porém, ao final do ensino médio o percentual caiu de 11,9% para 11%. O baixo rendimento em Matemática, observou, terá impacto no número de engenheiros a serem formados pelo país. Atualmente, comparou, o Brasil forma 30 mil engenheiros por ano, contra 80 mil na Coreia do Sul e 400 mil na China. Representante da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, o professor Carlos Eduardo Sanches também defendeu a adoção de metas intermediárias, para que o futuro plano possa ser acompanhado pela sociedade. 

           Uma das emendas que o movimento sugere que sejam acrescentadas ao projeto do segundo PNE determina que a oferta de escolas em tempo integral alcance 30% das escolas públicas até o quinto ano de vigência do plano e chegue a 50% no último ano. Para alcançar metas como essa, prosseguiu, os recursos para a educação não deveriam ser de 7% do Produto Interno Bruto (PIB), como quer o governo, mas sim de 10% do PIB.
           Tempo integral - Um exemplo de sucesso em educação integral foi apresentado na audiência pela secretária municipal de Educação de Campo Grande (MS), Maria Cecília Amendola da Motta. A partir de 2009, relatou, começaram a funcionar ali duas escolas em tempo integral com proposta curricular diferenciada e oito horas diárias de atividades. Nessas escolas, prosseguiu, existe um trabalho interdisciplinar e as crianças são estimuladas a pensar e pesquisar a partir de questões apresentadas pelos professores. - Queremos fazer com que a criança seja autora de suas ideias. Antes do espaço físico, pensamos na proposta pedagógica da escola - disse Cecília.
           Ao abordar o tema da Educação para Jovens e Adultos (EJA), o professor Timothy Denis Ireland, representante da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), registrou uma queda do número de alunos matriculados em 2009, a qual considerou "preocupante". E defendeu a profissionalização dos professores de jovens e adultos, uma vez que poucos atualmente possuemformação específica para lidar com alunos dessas faixas etárias. Por sua vez, a coordenadora geral de EJA do Ministério da Educação, Carmen Isabel Gatto, lembrou que 17% dos jovens entre 15 e 17 anos estão fora da escola.
           A senadora Marinor Britto (PSOL-PA), autora do requerimento de realização da audiência, criticou o governo federal por não haver, até hoje, apresentado um balanço do primeiro PNE e previu que as metas do segundo plano dificilmente poderão ser concretizadas com o investimento em educação de apenas 7% do PIB. Ao lembrar que sempre defendeu a implantação de escolas de tempo integral, o senador Cyro Miranda (PSDB-GO) pediu atenção para o risco de apenas se prolongar a permanência das crianças na escola, sem uma nova proposta pedagógica.
           O senador Waldemir Moka (PMDB-MS) lembrou que a cada ano chegam às universidades alunos com formação inicial mais deficiente. E questionou se este não seria o momento de se garantir prioridade à educação fundamental no país. Por sua vez, a senadora Lídice da Mata (PSB-BA) pediu que o financiamento à educação, durante o período do próximo PNE, contemple "políticas desiguais para tratar os desiguais", de forma a beneficiar os alunos das regiões Norte e Nordeste. O senador Cristovam Buarque (PDT-DF), que presidiu a reunião, lamentou que o governo não tenha lançado um PAA (Plano de Aceleração da Alfabetização), em contraposição ao PAC (Plano de Aceleração do Crescimento). - Em quatro anos, com R$ 4 bilhões, poderíamos erradicar o analfabetismo - previu Cristovam.

"PNE 2011-2020"

> O Estado de São Paulo, 01/06/2011 - São Paulo SP
Educação pode ter 5% do lucro das estatais
Comissão da Câmara discutirá emenda ao projeto do Plano Nacional de Educação
Felipe Mortara - Estadão.edu


           Nos próximos dias, uma comissão de 27 deputados federais responsáveis pelo projeto do novo Plano Nacional de Educação começará a discutir em Brasília uma emenda que destina 5% do lucro líquido das empresas estatais para investimentos em infraestrutura e transporte escolar. A proposta contemplaria a instalação de laboratórios de informática e ciências, a melhoria dos transportes escolares e também de bibliotecas, incluindo a compra de livros. Seriam favorecidos Estados e municípios com baixo gasto anual por aluno e indicadores educacionais ruins. O MEC ainda não se posicionou a respeito.
            Atualmente existem mais de cem empresas vinculadas à União, que em 2009 lucraram R$56, 1 bilhões, de acordo com o Ministério do Planejamento. Portanto, se a nova lei valesse hoje, R$ 3 bilhões seriam automaticamente revertidos para a educação básica. A proposta foi encaminhada pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação, entidade que agrupa cerca de 200 movimentos sociais de todo o País. A ideia é polêmica, pois as estatais já pagam imposto de renda e também recolhem a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Vale lembrar que muitas são de capital misto e contam com acionistas, o que poderia levar a nova contribuição a ser questionada na Justiça.

"Discriminação"

> Correio Braziliense, 01/06/2011 - Brasília DF
Mulheres sofrem discriminação na escola e no trabalho, diz ministra
Agência Câmara


           A ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Iriny Lopes, disse há pouco que, apesar de as mulheres terem mais acesso à educação que os homens, elas ainda enfrentam discriminação na escola e no mercado de trabalho. A ministra ressaltou que a remuneração das trabalhadoras ainda é muito inferior a dos trabalhadores. Além disso, segundo ela, os cursos superiores mais frequentados por mulheres, na maioria dos casos, reproduzem a função tradicional de cuidadora e não permitem o acesso a profissões mais valorizadas pelo mercado. Hoje, conforme Iriny Lopes, as mulheres acumulam, em média, 7,4 anos de estudo e os homens, 7 anos. Elas ocupam também 56,9% das vagas na universidade e na pós-graduação. “Apesar disso, temos a cultura de tratar de forma diferente os dois gêneros. E isso se reproduz na família e na escola”, afirmou. 
           A ministra participou de reunião da comissão especial destinada a analisar a proposta que cria o Plano Nacional de Educação (PNE – PL 8035/10), com metas do setor para os próximos dez anos. O encontro terminou há pouco no Plenário 10. Para diminuir a discriminação de gênero, a ministra propôs algumas mudanças no projeto do plano. Entre elas: inserção de conteúdos relacionados às relações de gênero, etnico-raciais e de orientação sexual na formação de professores e funcionários das escolas; inclusão desse tema nas diretrizes curriculares dos colégios e nos livros didáticos; estímulo à produção acadêmica sobre esse tópico; e fomento à participação das mulheres em cursos de graduação e pós-graduação de Engenharia, Matemática, Física, Química, Matemática e outros campos da Ciência.