sábado, 4 de junho de 2011

"Educação"

> Correio Braziliense, 01/06/2011 - Brasília DF
Quinze estados ainda não informaram investimentos em educação
Ascom FNDE


           Termina nesta terça-feira, 31, o prazo para que os estados e o Distrito Federal forneçam seus dados sobre investimentos feitos em educação no ano passado ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Até 11h de hoje, quinze estados ainda não tinham enviado suas informações. Caso não cumpram o prazo, correm o risco de ficar sem receber recursos de convênios firmados com o governo federal. Para enviar os dados, os estados devem baixar a versão 2010 do Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Educação (Siope), no sítio eletrônico do FNDE, inserir as informações e encaminhar pela Internet. Quem não cumprir o prazo ou não conseguir comprovar que investiu 25% do orçamento em educação fica inadimplente no Cadastro Único de Convênio (Cauc) do governo federal. Com isso, deixa de receber os recursos de transferências voluntárias da União e fica impossibilitado de firmar novos convênios com órgãos federais. 
           Transparência – O Siope coleta, processa e divulga informações referentes aos orçamentos de educação da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, com o objetivo de dar transparência aos investimentos em educação no país. Se o estado ou município não investir no mínimo 25% do seu orçamento total em manutenção e desenvolvimento do ensino, o FNDE envia, automaticamente, um comunicado aos tribunais de contas estaduais e ao Ministério Público informando o não cumprimento da lei. Para fazer a transmissão, o gestor deve usar a mesma senha do ano passado. Em caso de extravio ou bloqueio da senha, um novo código pode ser solicitado, conforme descrito em senha de transmissão. Para auxiliar os gestores locais no preenchimento do Siope, o FNDE produziu um manual de orientações, também disponível na página eletrônica da autarquia.

"Ensino Médio"

> Gazeta de Cuiabá, 02/06/2011 - Cuiabá MT
Atenção aos especiais
Editorial



           Falta de recursos e consequentemente de estrutura física limitam o atendimento das escolas municipais a alunos portadores de necessidades especiais. O custo elevado na manutenção das salas de aula, equipamentos e aparelhos pedagógicos exigidos para este tipo de estudantes prejudica a educação deles e coloca as instituições de ensino em uma situação delicada. Em Cuiabá, o cenário deve se agravar no próximo ano, quando o número de alunos deverá passar de mil, ante os 700 matriculados atualmente. O incremento é decorrente de uma determinação do Ministério da Educação e Cultura (MEC) que estabeleceu que as unidades especializadas, como Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) e Fundação Pestalozzi, deixem de atuar na educação, passando a atribuição exclusivamente ao poder público municipal. 
           Ao passar às prefeituras a incumbência da educação dos especiais gera-se a preocupação da qualidade no processo, uma vez que não há estrutura adequada e a deficiência tende a ser mais evidente. Atualmente, segundo a Secretaria de Educação de Cuiabá, o valor repassado pelo governo federal para custear os gastos com alunos especiais é de R$ 2,519 mil por ano, enquanto o ideal seria o valor de R$ 7 mil. Segundo o governo municipal, os recursos que vêm do MEC não são suficientes nem mesmo para pagar as Assistentes de Desenvolvimento Infantil (ADI), que acompanham os estudantes nas atividades realizadas na escola, cujo gasto é de R$ 11 mil por ano. Do total de alunos com algum tipo de deficiência em Cuiabá, 232 precisam de um atendimento individualizado. 

           A realidade enfrentada pela Capital estende-se ao país, que é carente de instituições que tratem dessas pessoas (crianças, adolescentes e adultos) com a atenção que elas merecem. Mas até que a situação melhore, faltam muitos passos a serem dados. Em Cuiabá, a Secretaria de Educação admite que terá dificuldade em atender a maior quantidade de alunos prevista para o próximo ano, uma vez que apenas 30 das 90 escolas da cidade possuem estrutura física e pedagógica para atender os especiais. A sala multifuncional, como é chamada, é dotada de equipamentos, vários materiais didáticos e recursos para facilitar e otimizar o aprendizado. A manutenção das escolas e a ampliação delas é um dever dos governos, isso porque tem capacidade de promover uma verdadeira revolução na vida não só das crianças mas de toda a família. Até pouco tempo atrás, muitos pais tinham "vergonha" de dizer que um dos filhos era portador de necessidades especiais. Frequentar a escola, então, só era possível para os mais abastados. 
           A matrícula destes estudantes nas escolas públicas representa mais que acesso a um direito constitucional. Significa inclusão social e a possibilidade de aprender coisas novas, conviver com outras pessoas e ter mais qualidade de vida. Pais destes especiais revelam que a melhora no relacionamento é visível quando existe um acompanhamento por um profissional e a luta é que a cada ano aumente o número de vagas existentes, especialmente nas entidades públicas. Mas além de aumentar as vagas, é preciso adequar as escolas e preparar os profissionais. E isso é um dever dos governos.

"Homofobia"

> Portal G1, 02/06/2011
Debate sobre homofobia e preconceito na escola é fundamental
Proibição do kit evidencia a dificuldade que se tem em lidar com o assunto. Professores precisam ter espaço para discussão e reflexão
Ana Cássia Maturano especial para o G1


           Pode-se dizer que o kit anti-homofobia é um sucesso. O adiamento de sua entrada nas escolas inflamou a discussão sobre o assunto. E é isso que importa: discutir o tema. Muito provavelmente, ele seria pouco produtivo nas escolas. Como vários projetos na área de educação, cairia de pára-quedas na cabeça dos professores, que teriam de trabalhar com o tema junto aos alunos, ajudando-os a lidar com suas visões muitas vezes homofóbicas. E quem ia ajudar o professor a elaborar esse assunto? Não dá simplesmente para combinar que agora ninguém mais vai ser homofóbico, usando simplesmente da repressão. 
           Valores e sentimentos não são passados apenas por palavras, mas principalmente na sutileza dos atos. A comunidade gay sabe bem o que é isso. Muitos tentaram reprimir seus sentimentos e identidade homossexual. E do que adiantou? De nada. Continuaram sendo como são. Lidar com um assunto desses é algo delicado. É necessária muita atenção para que o tiro não saia pela culatra. Faz-se necessário que os professores tenham um espaço de discussão e reflexão, onde alguns possam dizer de suas dificuldades em lidar com o assunto. Um espaço para falarem de seus preconceitos, para então poderem fazer o mesmo com seus alunos. 
           O que dá para entender é que eles serão contemplados com um guia de orientação. Aquilo que pensam e sentem não tem espaço algum. Quem assistiu aos vídeos pode perceber que não há nada demais neles. Como disseram por aí, mostra muito menos que as novelas. Isso importa pouco. É necessário entender o sentido do projeto. Será apenas uma tentativa da educação em nosso país ser politicamente correta e moderna, ou há algo maior em sua proposta? Penso que seria mais um projeto onde se gastaria muito, os professores veriam como algo atrapalhando o seu planejamento de matérias e sendo deixado para aqueles com função pouco definida na escola – como os professores que cobrem as faltas dos titulares 
           Ao se falar em homofobia, fala-se da visão distorcida que se tem sobre o modo de ser de algumas pessoas, que difere da norma. É algo que existe há muito tempo e está arraigado nas pessoas (basta a leitura de alguns comentários dos internautas em matérias publicadas pelo G1 sobre o assunto). Mas é preciso mudar – afinal, as diferenças existem e são uma realidade. Por isso mesmo deve ser tratado com mais seriedade. A proibição do kit pelo governo deixa evidente a dificuldade que se tem em lidar com o assunto, sem contar o poder que os grupos religiosos têm. Não dá para esperar que eles consintam com algo assim. A atitude deles não é questão de certo ou errado, é coerente com o que pensam e pregam. Precisam se modificar, sem dúvida. Porém, eles não têm condições de discutirem o tema, estão presos em seus pré conceitos. Não são bons conselheiros para isso. 
           Reduzir essa questão a um kit com três filmes e professores despreparados para lidar com o tema, é dar chance ao preconceito. É limitá-lo a um espaço muito pequeno. Isso faz lembrar o espaço da mulher e do negro, por exemplo. Grupos que também tiveram que conquistar seu lugar, como pessoas com direitos iguais aos outros. Cuja luta ainda continua. Eles, assim como os gays, tem um dia no ano em que são homenageados. O que tende a reforçar a idéia de que são mais frágeis e incapazes. Ora, todos os dias são da mulher, do negro, do gay, do índio... Isso é que é preciso ser construído pelo nosso povo, dia após dia. O que não vai ser garantido por um kit escolar.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

"Ensino Médio"

Diário Catarinense, 30/05/2011 - Florianópolis SC 
Movimento quer escolas bilíngues



           A manifestação em frente ao Ministério da Educação, na semana passada, foi um protesto contra a intenção do governo federal de incluir os portadores de necessidades especiais, como cegos e surdos, em escolas regulares. Uma comissão formada por dirigentes de associações de deficientes visuais foi recebida pelo ministro Fernando Haddad. Em nota, o MEC disse que “o ministro da Educação não pretende encerrar as atividades de nenhuma instituição ou escola destinada aestudantes com deficiência”.

           Paulo Vieira, presidente da Associação de Surdos de São Paulo, classificou a reunião como “difícil”. – Não adianta dar um curso de 40 horas de língua de sinais e esperar que os professores consigam receber alunos surdos e ouvintes na mesma sala – defende. 
           Nidia Regina Sá, participante do movimento e professora da Universidade Federal do Amazonas, pede mudanças no Plano Nacional de Educação. Segundo a acadêmica, termos como escola especial foram banidos do documento. – Eles querem transformar as escolas especiais em centros que prestam atendimento especializado, como fonoaudióloga, o que não é suficiente – afirma Nídia. Segundo o Ministério da Educação, de 2002 a 2010, a inclusão em turmas regulares passou de 110.704 (25%) matrículas para 484.332 (69%) e o número de escolas inclusivas cresceu de 17.164 (8%) para 85.090 (44%), nesse período.

domingo, 29 de maio de 2011

"Ensino Médio"

> Folha de São Paulo, 27/05/2011 - São Paulo SP
Aluno dá aula em escola sem professor
Colégio estadual da capital paulista cria grupo do ensino médio para assumir turmas do ensino fundamental. Estudantes contam que justificativa da direção é a de que a medida vai evitar futura reposição de aulas aos sábados
ADRIANA FERRAZ / FABIANA CAMBRICOLI DO "AGORA"


           Eles têm entre 14 e 18 anos e, desde segunda-feira, passaram de alunos a professores na escola estadual Padre Anchieta, na região do Brás, no centro de São Paulo. A troca de papel foi implantada pela própria direção do colégio para combater a falta de docentes. Voluntários são selecionados e ajudam colegas no contraturno. O grupo de alunos-professores é formado por 16 jovens. Eles estudam pela manhã e dão aulas à tarde. O público-alvo são as turmas do sexto e do sétimo ano do ensino fundamental (antigas quinta e sexta séries), que estão sem aulas de português desde o início de abril -o professor está afastado. Os alunos assumem ainda outras matérias ou aulas de reforço, quando é preciso. A seleção dos "novos professores" foi feita há duas semanas. "Fomos escolhidos após uma "peneira" e ainda estamos em teste", disse Jeferson Santos, 16, que cursa o nono ano do fundamental. 
           Assim como os colegas, ele pôde escolher o período de trabalho: das 13h às 15h30 ou das 15h30 às 18h30, todos os dias. O grupo afirma que não recebe dinheiro pelo serviço. "A gente só ganha o almoço, que é dado no refeitório", afirmou Carina Gonçalves Armelin, 18 anos, aluna do terceiro ano do ensino médio, que já é chamada de "professora". A fama repentina agrada os voluntários. A medida, segundo alguns pais de alunos ouvidos pela reportagem, não tem a intenção apenas de ocupar as aulas vagas na escola mas também de amenizar confusões ocorridas nos intervalos forçados pela falta de aulas. Alguns pais, porém, se disseram surpresos. Aempacotadora Ana Lúcia dos Santos, 46, não foi chamada à escola para conhecer o "projeto" e até ontem achava que o filho Jeferson passava as tardes fazendo trabalho na escola. 
REPOSIÇÃO - Estudantes contam que a justificativa da escola foi a de que a alternativa encontrada iria evitar a reposição de aulas aos finais de semana. Por causa disso, segundo alunos, a direção afirmou que não poderia haver reclamação. A ordem tem sido obedecida, mas não sem provocar polêmica. Nos corredores, esse é o assunto da semana. "Foi uma novidade para todo mundo. O normal é professor dar aula, não aluno", disse o estudante Luis Miguel Manhães, 18, que está no ensino médio e tem aulas com colegas. "A intenção é boa, mas não é certa", afirmou.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

"Bolsas"

> Portal G1, 18/05/2011
Mercadante fala em criar 75 mil bolsas para formação de engenheiros
Ministro diz que falta de engenheiros pode ‘estrangular’ desenvolvimento. ‘Grande desafio é dar salto rumo à sociedade de conhecimento’, afirmou
Bernardo Tabak do G1 RJ


           O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, anunciou, nesta terça-feira (17), que o governo federal está elaborando um programa para a criação de bolsa de estudo para a formação de engenheiros, profissão, que segundo dados apresentados por ele, está "em baixa" nas universidades brasileiras. “Hoje, temos 5,3 mil bolsas para engenheiros. Queremos, nos próximos anos, oferecer 75 mil bolsas para formar engenheiros e superar essa grave deficiência que vai estrangular nosso desenvolvimento econômico”, afirmou.
           Mercadante explicou que percentual de engenheiros no total das graduações oferecidas formados caiu de 7% em 200 para 5,9% em 2009. “Estamos com déficit na produção de fármacos, de chips, de instrumentos médicos de precisão, na área química e no setor de bens de capital”, afirmou ele. “Nosso grande desafio é focar na inovação e dar um salto rumo a sociedade de conhecimento”, complementou.